Em Setembro especial O Olhar fotográfico

Para abrir nosso Olhar Fotográfico vamos conhecer um pouco do trabalho do fotógrafo baiano Mário Cravo Neto, que faleceu ano passado.







                                           Moholy-Nagy, Torre de Rádio  em Berlim(detalhe), 1928


"No futuro não serão considerados analfabetos apenas aqueles que não souberem ler, mas também quem não  entender o funcionamento de uma máquina fotográfica."

 Moholy-Nagy, fotógrafo, palavras de 1936.


Hoje em dia é praticamente impossível abrir mão da fotografia como ferramenta do conhecimento e também como expressão artística. Olhe ao seu redor, em casa ou nas ruas. Sempre estamos cercados de fotografias. Não é para menos, pois desde sua criação no século XIX, que a fotografia  transforma nosso olhar com seu poder de representação. E sempre que precisamos de uma câmera para registrar algo e ela nos falta, sentimos uma frustração tão grande quanto um momento que se apaga de nossa memória. Estamos imersos nesse meio de imagens e precisamos estar atentos ao fluxo de informações visuais criadas a todo instante.

Com o surgimento da câmera digital a quantidade de imagens se amplia vertiginosamente nas três últimas décadas e novas possibilidades surgem, assim como novos paradigmas. O trabalho de revelação em estúdio, processo quase artesanal, torna-se obsoleto, abrindo caminho para os programas de edição de imagem cada vez mais poderosos. Artistas e designers se apropriam de fotografias da internet e criam novas fotografias, pessoas de todos os tipos se ultilizam de fotos para enviar mensagens, publicar anúncios, registrar um momento qualquer, publicitários e políticos se valem de antigas formas de domínio e criam outras  para persuadir o corpo social a seguir o "melhor caminho".  Diante desse cenário é imprenscindível conhecer a fotografia.






O Surgimento da Fotografia


Num mundo onde todos os mitos se foram e os deuses se tornaram “ shampoo”  reina agora a máquina. Nesse cenário parece estranho notar que a fotografia ainda encante os olhos das mais distintas culturas humanas. Em  meados do século XIX, talvez graças a uma extrema lucidez técnica ou pura sorte alquímica(divina ou diabólica), os pioneiros do desenho com luz(significado da palavra fotografia,que vem do grego φως [fós] ("luz"), e γραφις [grafis] ("estilo", "pincel") ou γραφη grafê ) criaram  o primeiro mecanismo capaz de imitar a realidade como nós a vemos.

                        Primeiro registro fotográfico realizado por Niépce em 1826

O conhecimento da câmera escura e da sensibilidade à luz dos sais de prata foram os dois fatores primordiais na obtenção da primeira fotografia. O frânces  Joseph Nicéphore Niépce, em 1822, foi o primeiro a conseguir uma imagem fixa, ou seja, uma fotografia que permanecesse visível no suporte onde foi fixada. Ele trabalhou com papéis tratados com cloreto de prata e fixou as imagens com ácido nítrico.
Dez anos depois das pesquisas de Niépce, outro francês, o pintor Louis Jaques Mandé Daguerre, realiza a descoberta decisiva: com uma placa metálica revestida de prata e sensibilizada com iodeto de prata e exposta acidentalmente a luz, Daguerre “guarda” sua placa num armário.  Na manhã seguinte a placa está com uma imagem gravada em sua superfície. Segundo o próprio Daguerre, o contato da placa sensibilizada com vapores de mercúrio dentro do armário proporcionou o aparecimento da imagem.  Com essa descoberta, Daguerre desenvolve um aparelho que é o precursor das câmeras fotográficas: o daguerreótipo. Em 1839 Daguerre vende sua criação ao governo francês por uma grande quantia em dinheiro.
As fotografias feitas com o daguerreótipo tinham um tempo  de exposição muito longo, em média de 15 a 30 minutos, ou seja, a luz precisava entrar em contato com a superfície sensível durante esse período, caso contrário a imagem não seria visível. Era, portanto necessário diminuir esse tempo de exposição. Em 1830, o matemático húngaro, Joseph Petzval propõe um mecanismo de lentes duplas agrupadas, reduzindo consideravelmente o tempo de exposição. O anúncio da criação do daguerreótipo impulsiona o inglês William Henry Fox Talbot a desenvolver um processo de criação de negativos em papel, a partir dos quais se podia obter um número indeterminado de cópias.
Ao longo dos últimos anos do século XIX, diversos aperfeiçoamentos técnicos tornaram a fotografia mais acessível a população. Em vez das placas de vidro e metal utilizadas até então,  chapas de papel com gelatina fixavam o brometo de prata no suporte, tormando o processo mais rápido, diminuindo ainda mais o tempo de exposição. Os obturadores das máquinas fotográficas, com velocidades maiores, já captavam cenas em movimento. Surgem as primeiras  câmeras compactas e a fotografia se populariza mundialmente.



A Câmera fotográfica

Os diferentes mecanismos de uma câmera fotográfica precisam ser bem estudados e compreendidos para se aproveitar ao máximo as inúmeras possibilidades do campo da fotografia. Esse conhecimento nos ajudará a escolher também o tipo de câmera mais adequado as nossas necessidades profissionais.
De modo bem simples, uma câmera fotográfica é uma caixa com um único orifício por onde a luz atinge uma parede translúcida ou opaca dessa caixa escura. Mecanismos mais sofisticados como lentes, engrenagens, sensores, filmes, apenas tornaram a câmera mais versátil. Ainda bem!
Precisamos entender basicamente três mecanismos presentes em qualquer tipo de câmera fotográfica: o diafragma, o obturador e o fotômetro. Vamos começar pelo obturador. O vídeo abaixo mostra uma câmera Nikon FM 10 com sua parte posterior aberta, mostrando o obturador. São feitos quatro disparos, com velocidades de 1 segundo, 1/30 segundo, 1/500 segundo e 1/1000 segundo. Perceba que quando o obturador abre, a luz percorre a lente e atravessa o espaço aberto pelo obturador, mostrando um pequeno círculo, que é menos perceptível à medida que a velocidade aumenta. Essa variação de velocidade determina a quantidade de luz que irá sensibilizar o filme ou sensor digital. Dependendo da cena que será captada, a variação da velocidade de obturação pode produzir efeitos diversos, extremamente criativos ou um grande desastre.


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